DO NADA
Quando se olha com atenção o panorama das pessoas que se conhecem, de ver falar na televisão ou de ler nos jornais, fixamo-nos frequentemente no apelido. Não é por acaso. A esmagadora maioria desses nomes já era conhecido nas gerações anteriores. Frequentemente, desde a queda do Marquês de Pombal.
Pensei nisto, enquanto procurava no dicionário da Academia a forma correcta como se escrevia uma palavra. E se eu não tivesse dicionário? Ou dinheiro para um computador, com corrector ortográfico, para as dúvidas mais básicas? Sem querer dar a imagem do alpinista (porque eu estaria a falar da busca do conhecimento e nos tempos que vivemos isso significa apenas fazer madeixas, não olhar a meios e subir em direcção ao fogo que queimará), ainda vou lembrando que é mais fácil atingir o cume com um casaco quentinho e umas botas adequadas.
Por isso, quando vejo alguém que conseguiu produzir uma obra contra todas as dificuldades económicas, sociais ou de qualquer outra natureza simples, não posso deixar de o/a valorizar.
É tão fácil conjugar bem os verbos quando o papá e a mamã (e ainda bem para eles) são licenciados e o avô e a avó tinham a casa cheia de livros...
E contudo...
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
15 de julho de 2004
FEIRAS DE VERÃO
Por todo o país as Câmaras, nos seus vários departamentos, se desdobram em festas e convites. A saber: Cantores de toda a espécie a 1000 contos. Fernando Rocha a 2000. Poetas e Escritores a deve-tar-maluco-se-pensa-que-lhe-vou-dar-um-cêntimo-para-falar-dessas-merdas-chatas.
É Portugal. O presente e o que se está a formar.
Por todo o país as Câmaras, nos seus vários departamentos, se desdobram em festas e convites. A saber: Cantores de toda a espécie a 1000 contos. Fernando Rocha a 2000. Poetas e Escritores a deve-tar-maluco-se-pensa-que-lhe-vou-dar-um-cêntimo-para-falar-dessas-merdas-chatas.
É Portugal. O presente e o que se está a formar.
14 de julho de 2004
É ENTRAR, MEUS SENHORES, É ENTRAR
Li, num jornal, outro dia, uma carta de um senhor que acusava o referido orgão de que "estari a fazer publicidade a uma empresa". Referia-se ao IKEA, a loja sueca de móveis. O director defendeu-se em meia-dúzia de palavras e passou adiante.
Hoje, foi a minha vez de ir dar uma volta ao gigantesco empreendimento. Levava uma desculpa: precisava ABSOLUTAMENTE de comprar X. E, lá, deveria haver.
Dei por mim, de sacos carregados de mil e uma coisas e uma vontade de mobilar a casa toda de novo, apenas com o que ali haveria. Conheci outras lojas desta marca no estrangeiro, por isso não sou um novato no comer sueco. Mas acabei por fazer o mesmo que os outros: comprar e querer comprar mais. Imagino os nossos vendedores de artigos de casa a levarem as mãos à cabeça e a anunciarem ruína. E para alguns será.
É inevitável o aparecimento destas grandes superfícies que nos trazem, nas diferentes áreas, o que o pequeno e médio comércio se tem recusado, ou não pode, dar: design, preço competitivo e possibilidade de passar horas e horas a mexer em tudo, a experimentar e a decidir o que apetece levar. Lojas como o IKEA, a Fnac ou a espanhola Zara cumprem o papel inevitável de globalizarem os objectos que nos cercam.
Haverá quem goste e quem odeie esta ideia. Mas para os últimos é melhor que comecem a pensar em alternativas...
ps: Claro que não trouxe o objecto que ia lá OBRIGATORIAMENTE comprar.
Li, num jornal, outro dia, uma carta de um senhor que acusava o referido orgão de que "estari a fazer publicidade a uma empresa". Referia-se ao IKEA, a loja sueca de móveis. O director defendeu-se em meia-dúzia de palavras e passou adiante.
Hoje, foi a minha vez de ir dar uma volta ao gigantesco empreendimento. Levava uma desculpa: precisava ABSOLUTAMENTE de comprar X. E, lá, deveria haver.
Dei por mim, de sacos carregados de mil e uma coisas e uma vontade de mobilar a casa toda de novo, apenas com o que ali haveria. Conheci outras lojas desta marca no estrangeiro, por isso não sou um novato no comer sueco. Mas acabei por fazer o mesmo que os outros: comprar e querer comprar mais. Imagino os nossos vendedores de artigos de casa a levarem as mãos à cabeça e a anunciarem ruína. E para alguns será.
É inevitável o aparecimento destas grandes superfícies que nos trazem, nas diferentes áreas, o que o pequeno e médio comércio se tem recusado, ou não pode, dar: design, preço competitivo e possibilidade de passar horas e horas a mexer em tudo, a experimentar e a decidir o que apetece levar. Lojas como o IKEA, a Fnac ou a espanhola Zara cumprem o papel inevitável de globalizarem os objectos que nos cercam.
Haverá quem goste e quem odeie esta ideia. Mas para os últimos é melhor que comecem a pensar em alternativas...
ps: Claro que não trouxe o objecto que ia lá OBRIGATORIAMENTE comprar.
12 de julho de 2004
DIAS DE TEMPESTADE
Há dias e meses e por vezes anos em que nos sentimos como viajantes que caminhassem por uma estrada de terra, no meio da chuva e da noite. O incómodo das roupas molhadas e da casa iluminada que não aparece dão-nos a ilusão do infindar do percurso. Mas todas são as noites que aclaram. E não há dia que não chegue.
Há dias e meses e por vezes anos em que nos sentimos como viajantes que caminhassem por uma estrada de terra, no meio da chuva e da noite. O incómodo das roupas molhadas e da casa iluminada que não aparece dão-nos a ilusão do infindar do percurso. Mas todas são as noites que aclaram. E não há dia que não chegue.
11 de julho de 2004
AINDA MAIS BREAKING ESTA NEW...
O grande projecto de obras públicas do novo governo já está pensado: um túnel que ligue Lisboa a Madrid. Bem aconselhado, como sempre, Santana Lopes teve uma tomada de consciência formidável: para quê gastar dinheiro com o TGV quando se pode simplesmente criar um túnel com uma inclinação tal que quando um objecto com rodas entra na parte de cima vai parar ao outro lado apenas pela gravidade.
O único senão é que os automobilistas terão de ir por estrada até à Serra da Estrela, local previsto para a entrada.
O grande projecto de obras públicas do novo governo já está pensado: um túnel que ligue Lisboa a Madrid. Bem aconselhado, como sempre, Santana Lopes teve uma tomada de consciência formidável: para quê gastar dinheiro com o TGV quando se pode simplesmente criar um túnel com uma inclinação tal que quando um objecto com rodas entra na parte de cima vai parar ao outro lado apenas pela gravidade.
O único senão é que os automobilistas terão de ir por estrada até à Serra da Estrela, local previsto para a entrada.
BREAKING NEWS
Santana Lopes não quis revelar à SIC quem vai escolher para o acompanhar nesta caminhada. Ou os seus projectos mais imediatos (além de se manter a pau com medo do tautau do Presidente...).
Contudo, recebi por email informações que se podem vir a verificar verdadeiras. Assim, para Ministro da Cultura estão dois nomes na calha: Tó Zé Martinho e Maria João Lopo de Carvalho... O primeiro tem a vantagem de saber o que é ter tido criadas e cozinheiras (o que se revelará uma mais valia na perservação da nossa etnografia). A segunda, além de ser capaz de virar tudo do avesso tornou-se irresistível ao publicar um livro com um menino de luvinhas de boxe e um beicinho que só apetece... adoptar.
Para as Finanças, ainda não se sabe, mas será provavelmente o dono da agência que idealizou e mandou imprimir os milhares e milhares de cartazes que entopem Lisboa. Alguém capaz de convencer um presidente de cãmara de que essa despesa era indispensável é capaz de tirar dinheiro das pedras...
Santana Lopes não quis revelar à SIC quem vai escolher para o acompanhar nesta caminhada. Ou os seus projectos mais imediatos (além de se manter a pau com medo do tautau do Presidente...).
Contudo, recebi por email informações que se podem vir a verificar verdadeiras. Assim, para Ministro da Cultura estão dois nomes na calha: Tó Zé Martinho e Maria João Lopo de Carvalho... O primeiro tem a vantagem de saber o que é ter tido criadas e cozinheiras (o que se revelará uma mais valia na perservação da nossa etnografia). A segunda, além de ser capaz de virar tudo do avesso tornou-se irresistível ao publicar um livro com um menino de luvinhas de boxe e um beicinho que só apetece... adoptar.
Para as Finanças, ainda não se sabe, mas será provavelmente o dono da agência que idealizou e mandou imprimir os milhares e milhares de cartazes que entopem Lisboa. Alguém capaz de convencer um presidente de cãmara de que essa despesa era indispensável é capaz de tirar dinheiro das pedras...
10 de julho de 2004
TEMPO DE PARTIR
Ligo a figura de Maria de Lurdes Pintasilgo a umas férias de Verão. Estava calor e havia uma pereira no quintal onde passávamos as tardes regressadas da praia. Falava-se do governo dos "100 dias", da proposta de uma mulher em mudar as coisas num tempo definido. Não resultou lá muito, é claro. Era mulher num país misógino e atávico; queria ser honesta na pequena mercearia dos favores políticos.
Também a sua candidatura às presidenciais foi especial. Um dos candidatos, já não me lembro se Mário Soares, o animal político, se o dramaturgo Freitas do Amaral (que, benza-o Deus, tem vindo a ficar mais sensato, politicamente falando, com o tempo), atacou a sua pretensão à Presidência com um argumento forte: "Uma mulher que não tem família não pode governar um país". Talvez a não tivesse, no sentido mais limitado do termo, mas tinha sem dúvida no mais amplo já que foi apoiada por milhares de pessoas sensatas e inteligentes. E bastou ver esse movimento para perceber que o passado está, por definição, sempre atrás.
Com Eduardo Lourenço (arquivo Instituto Camões).
Ligo a figura de Maria de Lurdes Pintasilgo a umas férias de Verão. Estava calor e havia uma pereira no quintal onde passávamos as tardes regressadas da praia. Falava-se do governo dos "100 dias", da proposta de uma mulher em mudar as coisas num tempo definido. Não resultou lá muito, é claro. Era mulher num país misógino e atávico; queria ser honesta na pequena mercearia dos favores políticos.
Também a sua candidatura às presidenciais foi especial. Um dos candidatos, já não me lembro se Mário Soares, o animal político, se o dramaturgo Freitas do Amaral (que, benza-o Deus, tem vindo a ficar mais sensato, politicamente falando, com o tempo), atacou a sua pretensão à Presidência com um argumento forte: "Uma mulher que não tem família não pode governar um país". Talvez a não tivesse, no sentido mais limitado do termo, mas tinha sem dúvida no mais amplo já que foi apoiada por milhares de pessoas sensatas e inteligentes. E bastou ver esse movimento para perceber que o passado está, por definição, sempre atrás.
Com Eduardo Lourenço (arquivo Instituto Camões).
9 de julho de 2004
BACK
Estive fora. Sem net. A digerir o jogo da final, a cara-de-pau do Santana e sus muchachos e a morte de Sophia. Disto tudo, só me resta a pena da última. A despedida da Fada Oriana que nunca conheci pessoalmente, mas a quem devo momentos de encantamento. Repousem em paz, a taça e a memória da escritora. Quanto ao outro, que o Tempo cumpra o seu papel.
Estive fora. Sem net. A digerir o jogo da final, a cara-de-pau do Santana e sus muchachos e a morte de Sophia. Disto tudo, só me resta a pena da última. A despedida da Fada Oriana que nunca conheci pessoalmente, mas a quem devo momentos de encantamento. Repousem em paz, a taça e a memória da escritora. Quanto ao outro, que o Tempo cumpra o seu papel.
1 de julho de 2004
PORTUGAL OLÉ OLÉ 3
Uma palavra de elogio para a nossa primeira-dama de tailleur feito com a bandeira nacional.Não se compara com a figura da mulher de Carlos Cruz, toda nua dentro da bandeira nacional, que fez a capa da Nova Gente (se não estou em erro...). Mas muito próximo de uma elegância-chinelo bem representativa das nossas gentes.
Ouvi dizer que o Toy até já está a pensar compôr uma cançãozita a propósito... ("Olha a bandeira que se farta de apitar, ripipipipi, e nunca mais desafina, rapaziada quem é que quer apitar... etc").
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Uma palavra de elogio para a nossa primeira-dama de tailleur feito com a bandeira nacional.Não se compara com a figura da mulher de Carlos Cruz, toda nua dentro da bandeira nacional, que fez a capa da Nova Gente (se não estou em erro...). Mas muito próximo de uma elegância-chinelo bem representativa das nossas gentes.
Ouvi dizer que o Toy até já está a pensar compôr uma cançãozita a propósito... ("Olha a bandeira que se farta de apitar, ripipipipi, e nunca mais desafina, rapaziada quem é que quer apitar... etc").
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PORTUGAL OLÉ OLÉ 2
A energia em Lisboa era diferente, desta vez. O que começou por ser um ajuntamento de pessoas surprendidas com as inesperadas vitórias transformou-se numa segurança estrangeira; uma confiança a que não estamos habituados. E isso, sendo curioso, não é nada portuga... A ver vamos o que se segue.
A energia em Lisboa era diferente, desta vez. O que começou por ser um ajuntamento de pessoas surprendidas com as inesperadas vitórias transformou-se numa segurança estrangeira; uma confiança a que não estamos habituados. E isso, sendo curioso, não é nada portuga... A ver vamos o que se segue.
PORTUGAL OLÉ OLÉ
Graças aos deuses que está a acabar. Vão acabar-se as estafas a pé até ao Marquês e o regresso a casa arrastando a bandeira a que tenho sido (satisfeitissimamente) submetido :)
Para bem dos que entendem alguma coisa de futebol estou quase a calar-me com "Tirem-me esse homem da Grande Área" ou "Isto é claramente Fora de Jogo!". :) Por uma vez, Treinador de Bancada.
Graças aos deuses que está a acabar. Vão acabar-se as estafas a pé até ao Marquês e o regresso a casa arrastando a bandeira a que tenho sido (satisfeitissimamente) submetido :)
Para bem dos que entendem alguma coisa de futebol estou quase a calar-me com "Tirem-me esse homem da Grande Área" ou "Isto é claramente Fora de Jogo!". :) Por uma vez, Treinador de Bancada.
30 de junho de 2004
JUSTIÇA CEGA!
"Três taxistas foram detidos esta madrugada pela Inspecção-geral das Actividades Económicas (IGAE) por praticarem preços acima do tabelado no transporte de passageiros entre o Aeroporto da Portela, em Lisboa, e hotéis no centro da cidade."
in Público.
Por amor de Deus! Como se isso fosse possível!...
"Três taxistas foram detidos esta madrugada pela Inspecção-geral das Actividades Económicas (IGAE) por praticarem preços acima do tabelado no transporte de passageiros entre o Aeroporto da Portela, em Lisboa, e hotéis no centro da cidade."
in Público.
Por amor de Deus! Como se isso fosse possível!...
UM MUNDO PERFEITO
Como se dizia nos já citados "Anjos na América", há os que acreditam que o mundo pode ser aperfeiçodao e até, quem sabe, atingir a harmonia total, e os outros. Os que aceitam que o mundo não tem conserto e que vivem bem com isso.
Considero-me entre os primeiros. Com a incapacidade de não ver, dos segundos. O que dói é isto, ver que o mundo é como cada um de nós - imperfeito, comprazendo-se nos próprios erros - e ao mesmo tempo, achar que se "eu" me esforçar as coisas melhorarão. Esta bipolaridade não passa, provavelmente, da incapacidade em aceitar um universo sem deuses.
Como se dizia nos já citados "Anjos na América", há os que acreditam que o mundo pode ser aperfeiçodao e até, quem sabe, atingir a harmonia total, e os outros. Os que aceitam que o mundo não tem conserto e que vivem bem com isso.
Considero-me entre os primeiros. Com a incapacidade de não ver, dos segundos. O que dói é isto, ver que o mundo é como cada um de nós - imperfeito, comprazendo-se nos próprios erros - e ao mesmo tempo, achar que se "eu" me esforçar as coisas melhorarão. Esta bipolaridade não passa, provavelmente, da incapacidade em aceitar um universo sem deuses.
29 de junho de 2004
EU É QUE SOU O PIOR!
"Os três jovens arquitectos processados em 2002 por Tomás Taveira num processo sobre a autoria de cinco obras de arquitectura dos anos 60 e 70 foram absolvidos de todas as acusações." Público.
Foi assim afastada a pretensão do celebrado autor da Casa de Banho XXI, de ser dele o assassinato de alguns edifícios, como o edifício Castil. Já no caso de Albufeira foi difícil de deslindar, uma vez que os investigadores do Ministérios tiveram de ir 3 vezes ao local, desmaiando sempre.
"Se é uma construção de merda, com muita cor, então é MINHA!", argumentou o brilhante, arquitecto (por assim dizer).
Infelizmente, perdeu, de nada lhe valendo afirmar que "tinha tudo filmado".
"Os três jovens arquitectos processados em 2002 por Tomás Taveira num processo sobre a autoria de cinco obras de arquitectura dos anos 60 e 70 foram absolvidos de todas as acusações." Público.
Foi assim afastada a pretensão do celebrado autor da Casa de Banho XXI, de ser dele o assassinato de alguns edifícios, como o edifício Castil. Já no caso de Albufeira foi difícil de deslindar, uma vez que os investigadores do Ministérios tiveram de ir 3 vezes ao local, desmaiando sempre.
"Se é uma construção de merda, com muita cor, então é MINHA!", argumentou o brilhante, arquitecto (por assim dizer).
Infelizmente, perdeu, de nada lhe valendo afirmar que "tinha tudo filmado".
BAH!
Vou poupar o meu (fraco) latim, por uns tempos, no caso da feliz partida do nosso amigo Durão e da provável aterragem do nada ambicioso Santana.
As bases do PSD parecem estar satisfeitas com a visão da brilhantina; pela província fora várias mulheres já me confidenciaram "não ser mau", como quem estivesse a aprovar a entrada do Brad Pitt para Presidente. Por isso, talvez uma parte do país mereça mesmo levar com este incompetente e suas muchachas...
Vou-me concentrar no acto de inventar. Histórias de preferência. Formas de pagar a renda, se a crise não for para Bruxelas...
Vou poupar o meu (fraco) latim, por uns tempos, no caso da feliz partida do nosso amigo Durão e da provável aterragem do nada ambicioso Santana.
As bases do PSD parecem estar satisfeitas com a visão da brilhantina; pela província fora várias mulheres já me confidenciaram "não ser mau", como quem estivesse a aprovar a entrada do Brad Pitt para Presidente. Por isso, talvez uma parte do país mereça mesmo levar com este incompetente e suas muchachas...
Vou-me concentrar no acto de inventar. Histórias de preferência. Formas de pagar a renda, se a crise não for para Bruxelas...
28 de junho de 2004
26 de junho de 2004
O TEMPO DE PENSAR E DE AGIR
Enquanto o Presidente pensa, com a sua fleuma característica, uma manifestação toma forma: amanhã às 19 h em frente a Belém.
Contra a hipótese Santanal, pois claro.
Eu estarei lá.Seja lá quem for que organize.
E no fim, ainda comerei um pastelinho de consciência mais tranquila.
Enquanto o Presidente pensa, com a sua fleuma característica, uma manifestação toma forma: amanhã às 19 h em frente a Belém.
Contra a hipótese Santanal, pois claro.
Eu estarei lá.Seja lá quem for que organize.
E no fim, ainda comerei um pastelinho de consciência mais tranquila.
ROCKODROMO
Preparava-me eu para comentar o último disparate do presidente da C. de Lisboa, Pedro S. Lopes, quando a notícia ou o rumor dela me entrou pela sala dentro.
Ficou assim relegado o nojo da ideia da conversão do Cinema S. Jorge em "rockodromo" (????). Depois do Condes ter passado a Hard Rock Cafe, o executivo camarário tem a brilhante ideia de estourar o erário municipal numa coisa com muita cor,muita música, muita argola... em resumo: pasto para as santanetes.
O cimo da Av. da Liberdade arrisca-se assim, a transformar-se numa zona de destroços encimada pelo Buraco do Marquês.
Mas a tomada de assalto, ou de bandeja, desta criatura à cabeça do governo do meu país, não sendo surpreendente, é de mais para a minha paciência.
Santana Lopes representa o pior do PSD, já o disse, aqui, e repito. É o chefe das argoletas e dos ambiciosos que descansam de camisinha GANT e sapatinho de vela (caro). É a figura que toma a ostentação e o novo-riquismo como um valor nacional. E isso, ninguém de bom senso neste país pode suportar.
Com todos os defeitos (nomeadamente o de aturarem por interesse os Catilinas do PP), houve medidas que, apesar de duras, me pareceram justas. Morais Sarmento enfrentou a RTP (com resultados insuficientes, é certo, mas para obter melhor teria de ser especialista em Oncologia) Ferreira Leite lá veio passar a mensagem de que quando não há dinheiro não há palhaço e por aí fora. Claro que a área da Cultura, como se esperava, despareceu no éter. Mas ainda assim houve uma energia decisora que serviu de contraponto ao marasmo a que o PS nos tinha habituado. Enfim... Não era mau de todo.
Agora, trazer este... este... Shrek com brilhantina não é uma proposta: é um crime.
Não admira que o primeiro apoiante tenha sido o burgesso da madeira.
Façam como quiserem. Mas contem comigo em tudo o que for manifestação: da anacrónica CGTP à marcha das Mulheres Desempregadas.
O Nietzshe tinha razão: Deus morreu.
Preparava-me eu para comentar o último disparate do presidente da C. de Lisboa, Pedro S. Lopes, quando a notícia ou o rumor dela me entrou pela sala dentro.
Ficou assim relegado o nojo da ideia da conversão do Cinema S. Jorge em "rockodromo" (????). Depois do Condes ter passado a Hard Rock Cafe, o executivo camarário tem a brilhante ideia de estourar o erário municipal numa coisa com muita cor,muita música, muita argola... em resumo: pasto para as santanetes.
O cimo da Av. da Liberdade arrisca-se assim, a transformar-se numa zona de destroços encimada pelo Buraco do Marquês.
Mas a tomada de assalto, ou de bandeja, desta criatura à cabeça do governo do meu país, não sendo surpreendente, é de mais para a minha paciência.
Santana Lopes representa o pior do PSD, já o disse, aqui, e repito. É o chefe das argoletas e dos ambiciosos que descansam de camisinha GANT e sapatinho de vela (caro). É a figura que toma a ostentação e o novo-riquismo como um valor nacional. E isso, ninguém de bom senso neste país pode suportar.
Com todos os defeitos (nomeadamente o de aturarem por interesse os Catilinas do PP), houve medidas que, apesar de duras, me pareceram justas. Morais Sarmento enfrentou a RTP (com resultados insuficientes, é certo, mas para obter melhor teria de ser especialista em Oncologia) Ferreira Leite lá veio passar a mensagem de que quando não há dinheiro não há palhaço e por aí fora. Claro que a área da Cultura, como se esperava, despareceu no éter. Mas ainda assim houve uma energia decisora que serviu de contraponto ao marasmo a que o PS nos tinha habituado. Enfim... Não era mau de todo.
Agora, trazer este... este... Shrek com brilhantina não é uma proposta: é um crime.
Não admira que o primeiro apoiante tenha sido o burgesso da madeira.
Façam como quiserem. Mas contem comigo em tudo o que for manifestação: da anacrónica CGTP à marcha das Mulheres Desempregadas.
O Nietzshe tinha razão: Deus morreu.
25 de junho de 2004
ONDE É QUE VOCÊ ESTAVA NO JOGO PORTUGAL-INGLATERRA?
De vez em quando, na nossa história pessoal, damos connosco rodeados de milhares de pessoas que expressam o mesmo sentimento.
Os mais novos não poderão compreender o que foi nas ruas o 1º de Maio. Como os filhos não compreenderão o que os levará a falar da noite de ontem como um momento em que saíram à rua porque a casa era pequena para a sua alegria. Exagero? Será, mas é de emoções directas que Portugal está a necessitar para levantar voo da apatia.
Esta, serve.
ps: eu estive no Marquês de Pombal e vi homens que trepavam estátuas gigantes.
De vez em quando, na nossa história pessoal, damos connosco rodeados de milhares de pessoas que expressam o mesmo sentimento.
Os mais novos não poderão compreender o que foi nas ruas o 1º de Maio. Como os filhos não compreenderão o que os levará a falar da noite de ontem como um momento em que saíram à rua porque a casa era pequena para a sua alegria. Exagero? Será, mas é de emoções directas que Portugal está a necessitar para levantar voo da apatia.
Esta, serve.
ps: eu estive no Marquês de Pombal e vi homens que trepavam estátuas gigantes.
24 de junho de 2004
VERÃO. COMO DIRIA O CEGO
Há manhãs como esta, cinzentas e esquisitas, em que as vozes das pessoas nos chegam abafadas da rua e o barulho dos carros (constante, sempre constante)não deixa entrar a luz em casa. Há manhãs em que o corpo ainda não acordou e já se está a vestir para ir cumprir um ritual monótono que nos consumirá a pouca energia que conseguimos apanhar do chão.
E mesmo assim temos sorte. Como um domador que decidiu viver no circo e todas as semanas é obrigado a limpar a jaula e ajudar a desmontar a tenda. Os pesados ferros da tenda.
Vivemos na esperança do vento da estrada.
Há manhãs como esta, cinzentas e esquisitas, em que as vozes das pessoas nos chegam abafadas da rua e o barulho dos carros (constante, sempre constante)não deixa entrar a luz em casa. Há manhãs em que o corpo ainda não acordou e já se está a vestir para ir cumprir um ritual monótono que nos consumirá a pouca energia que conseguimos apanhar do chão.
E mesmo assim temos sorte. Como um domador que decidiu viver no circo e todas as semanas é obrigado a limpar a jaula e ajudar a desmontar a tenda. Os pesados ferros da tenda.
Vivemos na esperança do vento da estrada.
23 de junho de 2004
TRANSPORTEM-ME DAQUI PARA FORA 2
As empresas de transporte de Lisboa resolveram convocar greves conjuntas para 24 e 30 de Junho e ainda para 4 de Julho.
Por uma coincidência inesperada calha mesmo nos dias do jogo Portugal-Inglaterra, das Meias-Finais e da Final.
Onde se prova que a malandragem que finge que trabalha nestas empresas, afinal não é mal intencionada. Aposto como à hora das transmissões estarão todos na rua a manifestarem-se pela manutenção dos seus privilégios.
Não me desapontem, meus senhores...!
As empresas de transporte de Lisboa resolveram convocar greves conjuntas para 24 e 30 de Junho e ainda para 4 de Julho.
Por uma coincidência inesperada calha mesmo nos dias do jogo Portugal-Inglaterra, das Meias-Finais e da Final.
Onde se prova que a malandragem que finge que trabalha nestas empresas, afinal não é mal intencionada. Aposto como à hora das transmissões estarão todos na rua a manifestarem-se pela manutenção dos seus privilégios.
Não me desapontem, meus senhores...!
TRANSPORTEM-ME DAQUI PARA FORA 1
"O Conselho de Ministros deverá(...) aprovar a reestruturação do sistema de transportes públicos em Lisboa, que prevê a discriminação do preço do passe social em função do rendimento do utente".
Ora até que enfim! Enquanto utente, choca-me ver tantas pessoas vestidas de Gucci e Armani a acotovelarem-se na fila do 74. Só ministros e famílias são aos montes.
Este ano, se quiserem ir na Rodoviária para a Caparica já vão pagar mais.
Uma das medidas mais inteligentes e favoráveis a quem anda sempre de autocarro, já tomadas!
"O Conselho de Ministros deverá(...) aprovar a reestruturação do sistema de transportes públicos em Lisboa, que prevê a discriminação do preço do passe social em função do rendimento do utente".
Ora até que enfim! Enquanto utente, choca-me ver tantas pessoas vestidas de Gucci e Armani a acotovelarem-se na fila do 74. Só ministros e famílias são aos montes.
Este ano, se quiserem ir na Rodoviária para a Caparica já vão pagar mais.
Uma das medidas mais inteligentes e favoráveis a quem anda sempre de autocarro, já tomadas!
22 de junho de 2004
PERGUNTO EU
O país está feliz e mobilizadíssimo. O melhor e o pior são visíveis na cara dos portugueses. Ao ver as pessoas que saltavam com o coração na boca e a frase "Somos os máiores", pudemos assistir à partida das caravelas para a Índia e para os Brasis.
Povo, políticos, artistas e vendedoras de pão no Corte Inglês, falam apenas de uma coisa e estão dispostos a fazer o que for preciso para que essa coisa se concretize.
Não seria possível, utilizar essa mesma capacidade de empenho e motivação para causas úteis; algo que fizesse o país sair da mediocridade em que patinha resignado? Sim, europeu é giro e assim..., mas aquilo que projecta os países e a Humanidade será passível de ser igualmente accionado? Mesmo sem bola...?
Pergunto eu...
O país está feliz e mobilizadíssimo. O melhor e o pior são visíveis na cara dos portugueses. Ao ver as pessoas que saltavam com o coração na boca e a frase "Somos os máiores", pudemos assistir à partida das caravelas para a Índia e para os Brasis.
Povo, políticos, artistas e vendedoras de pão no Corte Inglês, falam apenas de uma coisa e estão dispostos a fazer o que for preciso para que essa coisa se concretize.
Não seria possível, utilizar essa mesma capacidade de empenho e motivação para causas úteis; algo que fizesse o país sair da mediocridade em que patinha resignado? Sim, europeu é giro e assim..., mas aquilo que projecta os países e a Humanidade será passível de ser igualmente accionado? Mesmo sem bola...?
Pergunto eu...
21 de junho de 2004
MEA CULPA?
Na tv, uma mãe ansiosa, fala da 11ª exposição de pintura do seu filho. Autista. De 7 anos.
Apesar de "ter dificuldade em reconhecer as temáticas", conseguiu identificar numa série de quadros Luís de Camões e Os Lusíadas. Nesta parte, o Goucha ficou perplexo e tentou saber onde diabo teria o miúdo tomado conhecimento com o poeta imortal... A mãe não desarmou: havia "dois livros grossos sobre os descobrimentos" a segurar a pilha de telas. Além das caravelas que se avistam em "Pocahontas".
Se não fosse trágico, o discurso irrealista da senhora seria patético.
Assim, só nos resta reflectir sobre a forma como encaramos a deficiência e, no caso particularmente complicado do autismo, a forma como se lida com o sentimento de culpa.
Na tv, uma mãe ansiosa, fala da 11ª exposição de pintura do seu filho. Autista. De 7 anos.
Apesar de "ter dificuldade em reconhecer as temáticas", conseguiu identificar numa série de quadros Luís de Camões e Os Lusíadas. Nesta parte, o Goucha ficou perplexo e tentou saber onde diabo teria o miúdo tomado conhecimento com o poeta imortal... A mãe não desarmou: havia "dois livros grossos sobre os descobrimentos" a segurar a pilha de telas. Além das caravelas que se avistam em "Pocahontas".
Se não fosse trágico, o discurso irrealista da senhora seria patético.
Assim, só nos resta reflectir sobre a forma como encaramos a deficiência e, no caso particularmente complicado do autismo, a forma como se lida com o sentimento de culpa.
HORA DE DORMIR
O país já gritou, contente. Por um dia, ou talvez mais, o primeiro-ministro vai suspirar de alívio: os portugueses acham-se mais estimáveis.
O trabalho aguarda depois do sono. A escrita das coisas desejadas terá de esperar, enquanto cavo na horta da calçada as batatas da renda.
Amanhã vou achar-me mais gordo. Ainda menos jovem do que hoje. Um dia a menos para a morte. Mas será por ainda ser cedo e a casa de banho não ter luz natural. É natural.
Os jornais vão falar de coisas que lhes parecem, hoje, importantes. Nenhum falará do céu, do mar ou das plantas, que permanecerão depois de nós desaparecermos.
Ou talvez sim. Os jornais falam pelos cotovelos.
O país já gritou, contente. Por um dia, ou talvez mais, o primeiro-ministro vai suspirar de alívio: os portugueses acham-se mais estimáveis.
O trabalho aguarda depois do sono. A escrita das coisas desejadas terá de esperar, enquanto cavo na horta da calçada as batatas da renda.
Amanhã vou achar-me mais gordo. Ainda menos jovem do que hoje. Um dia a menos para a morte. Mas será por ainda ser cedo e a casa de banho não ter luz natural. É natural.
Os jornais vão falar de coisas que lhes parecem, hoje, importantes. Nenhum falará do céu, do mar ou das plantas, que permanecerão depois de nós desaparecermos.
Ou talvez sim. Os jornais falam pelos cotovelos.
18 de junho de 2004
BREVES (QUE ESTOU ATRASADO)
Estou de saída para a SCRIPT RUN. Durante 24 horas, 20 equipas de argumentistas terão de chegar ao guião final de uma curta metragem, seguindo os passos de uma metodologia sensata. Vou acompanhar, dando o meu melhor, para que eles criem filmes capazes de levar bola preta no Público...
No eléctrico 28, uma mulher decidiu entrar com uma cadelinha ao colo (não era tão pequena como isso, mas levava trela e ia ao colo). O azar foi o guarda-freio estar a entrar de turno e de ter sido admoestado pelo colega que levava o carro de "ser um fraco e de baixar as calças" diante dos problemas. Vá do homem embirrar com o cão e de querer pô-lo (a) e à dona na rua. Esta recusou-se invocando a lei. No eléctrico, as opiniões dividiam-se sendo a mais ouvida a de um jovem africano, que estava na hora de almoço e cheio de fome. E a de um reformado enérgico que berrava pedindo o número do decreto-lei e a explusão canídea. Quinze minutos e uma fila de carros depois, o polícia castigador ainda não tinha aparecido. Fui a pé para casa, mas suponho ter sido mais um exemplo do rigor maravilhoso de um funcionário diligente ("E se ele fizer porcarias é a senhora que vai limpar? Hã'!").
ps: se alguém souber o que diz a lei sobre o transporte de animais nos eléctricos, esclareça-me, já agora.
Ontem estive em tertúlia, para os lados de Santos. A coisa não correu mal. Lá fui encostado à parede com a acusação subentendida de que era impossível não escrever para o público "caso contrário não publicaria". Como se o acto de escrever se compadecesse com os destinos vulgares da coisa impressa. Enfim, opiniões.
Estou de saída para a SCRIPT RUN. Durante 24 horas, 20 equipas de argumentistas terão de chegar ao guião final de uma curta metragem, seguindo os passos de uma metodologia sensata. Vou acompanhar, dando o meu melhor, para que eles criem filmes capazes de levar bola preta no Público...
No eléctrico 28, uma mulher decidiu entrar com uma cadelinha ao colo (não era tão pequena como isso, mas levava trela e ia ao colo). O azar foi o guarda-freio estar a entrar de turno e de ter sido admoestado pelo colega que levava o carro de "ser um fraco e de baixar as calças" diante dos problemas. Vá do homem embirrar com o cão e de querer pô-lo (a) e à dona na rua. Esta recusou-se invocando a lei. No eléctrico, as opiniões dividiam-se sendo a mais ouvida a de um jovem africano, que estava na hora de almoço e cheio de fome. E a de um reformado enérgico que berrava pedindo o número do decreto-lei e a explusão canídea. Quinze minutos e uma fila de carros depois, o polícia castigador ainda não tinha aparecido. Fui a pé para casa, mas suponho ter sido mais um exemplo do rigor maravilhoso de um funcionário diligente ("E se ele fizer porcarias é a senhora que vai limpar? Hã'!").
ps: se alguém souber o que diz a lei sobre o transporte de animais nos eléctricos, esclareça-me, já agora.
Ontem estive em tertúlia, para os lados de Santos. A coisa não correu mal. Lá fui encostado à parede com a acusação subentendida de que era impossível não escrever para o público "caso contrário não publicaria". Como se o acto de escrever se compadecesse com os destinos vulgares da coisa impressa. Enfim, opiniões.
ADEPTOS
Chegados a Inglaterra, alguns adeptos ingleses manifestaram a sua indignação pelo processo que conduziu à sua expulsão.
Um declarou que foi tratado de forma "repugnante", em Albufeira. Terá acrescentado mais tarde, já fora de campo: "mais de metade dos 200 litros de cerveja que me venderam vinha MORNA!!"
Outro estava ofendido por ter sido neutralizado pela polícia em dia de aniversário. Devo dizer que também considero isto um ultrage... Ao menos que lhe afinfassem as bastonadas ao ritmo de "Happy birthday, dear hooooliiiigaannn".
Chegados a Inglaterra, alguns adeptos ingleses manifestaram a sua indignação pelo processo que conduziu à sua expulsão.
Um declarou que foi tratado de forma "repugnante", em Albufeira. Terá acrescentado mais tarde, já fora de campo: "mais de metade dos 200 litros de cerveja que me venderam vinha MORNA!!"
Outro estava ofendido por ter sido neutralizado pela polícia em dia de aniversário. Devo dizer que também considero isto um ultrage... Ao menos que lhe afinfassem as bastonadas ao ritmo de "Happy birthday, dear hooooliiiigaannn".
ARTE
Aquando da detenção do grupo de alegados traficantes de droga, os jornalistas passaram a vida a chamar a atenção para o facto de um ser filho de uma ex-ministra e outra uma ex-mulher de futebolista.
Nem uma palavra sobre a criatividade artística dos polícias que escreveram "PSP" com barras de haxixe. Depois queixam-se da desumanização da polícia...!
Aquando da detenção do grupo de alegados traficantes de droga, os jornalistas passaram a vida a chamar a atenção para o facto de um ser filho de uma ex-ministra e outra uma ex-mulher de futebolista.
Nem uma palavra sobre a criatividade artística dos polícias que escreveram "PSP" com barras de haxixe. Depois queixam-se da desumanização da polícia...!
16 de junho de 2004
BE NICE
Em ANJOS NA AMÉRICA, essa nova série-delírio das 2as feiras, a figura interpretada pelo Al Pacino interpela o advogado jovem (casado com uma tipa que gosta de se meter no frigorífico - o que, a aumentar a temperatura, não é uma má ideia - e dar-se com seres de kispo com gola de pêlo) acusando-o de tentar sempre ser "simpático". Insinua que isso não só não o levará a lado nenhum, como é uma postura acovardada na vida.
Penso muitas vezes nisto. Nas rupturas que se impõem para poder progredir e o respeito que a quase totalidade dos seres humanos nos merece. Uma amiga afastada dir-me-ia que tudo se resolve pela comunicação eficaz. Mas não tenho a certeza se ela já atravessou um matagal com cobras para chegar a uma praia secreta ;)
Em ANJOS NA AMÉRICA, essa nova série-delírio das 2as feiras, a figura interpretada pelo Al Pacino interpela o advogado jovem (casado com uma tipa que gosta de se meter no frigorífico - o que, a aumentar a temperatura, não é uma má ideia - e dar-se com seres de kispo com gola de pêlo) acusando-o de tentar sempre ser "simpático". Insinua que isso não só não o levará a lado nenhum, como é uma postura acovardada na vida.
Penso muitas vezes nisto. Nas rupturas que se impõem para poder progredir e o respeito que a quase totalidade dos seres humanos nos merece. Uma amiga afastada dir-me-ia que tudo se resolve pela comunicação eficaz. Mas não tenho a certeza se ela já atravessou um matagal com cobras para chegar a uma praia secreta ;)
15 de junho de 2004
14 de junho de 2004
EMIGRANTES
Ao ouvi-los no seu entusiasmo pelo Euro português, na forma como os seus filhos se expressam ao telefone, via RTP-Internacional, na língua herdada, vejo sublinhada a evidência de que o amor ao meu país existe mais nos que estão lá fora.É nos emigrantes que Portugal existe. Aquilo que temos de mais genuíno e essencial abandonou-nos há muito. Só pela Saudade lhe avistamos o reflexo.
Ao ouvi-los no seu entusiasmo pelo Euro português, na forma como os seus filhos se expressam ao telefone, via RTP-Internacional, na língua herdada, vejo sublinhada a evidência de que o amor ao meu país existe mais nos que estão lá fora.É nos emigrantes que Portugal existe. Aquilo que temos de mais genuíno e essencial abandonou-nos há muito. Só pela Saudade lhe avistamos o reflexo.
ELEIÇÕES
Foi pena não ter ido mais gente votar (eu, por exemplo) nestas LEGISLATIVAS. Afinal serviu para "mostrar cartão amarelo ao governo", como "aviso à política de descalabro da direita" e como "vitória esmagadora" ou "melhor resultado de sempre"(para o PS e Bloco).
Só não percebi porque insistiram em lhes chamar "Europeias"... Seria por nos situarmos na cauda da referida...?
Foi pena não ter ido mais gente votar (eu, por exemplo) nestas LEGISLATIVAS. Afinal serviu para "mostrar cartão amarelo ao governo", como "aviso à política de descalabro da direita" e como "vitória esmagadora" ou "melhor resultado de sempre"(para o PS e Bloco).
Só não percebi porque insistiram em lhes chamar "Europeias"... Seria por nos situarmos na cauda da referida...?
13 de junho de 2004
É DIFÍCIL FLUTUAR SOBRE O TEJO
Tratar os dias como se fossem eternos.
A vida como se fosse eterna.
Os que amamos, como se fossem anjos sempre prontos a tocar o céu.
Os que amamos, como se fossem plantas frágeis que vivem com os pés no solo pobre.
Tratar os dias como se terminassem em breve.
A vida, como um copo delicado de vidro.
Tratar os dias como se fossem eternos.
A vida como se fosse eterna.
Os que amamos, como se fossem anjos sempre prontos a tocar o céu.
Os que amamos, como se fossem plantas frágeis que vivem com os pés no solo pobre.
Tratar os dias como se terminassem em breve.
A vida, como um copo delicado de vidro.
CONTRA O FUTURO MARCHAR, MARCHAR
Ao ler em jeito de karaoke as letras das marchas populares fico deveras surpreendido por não ver a juventude aderir em massa.
Afinal quem é que com 18 anos em 2004 não quer ir "pro bailarico" ou "namorar ao parapeito"? Afinal, as "catraias" já não brincam "ao aro, nem ao pião"...
ps: não reparei se o nosso presidente, o marechal Américo Tomás estava presente... Alguém me pode informar?
Ao ler em jeito de karaoke as letras das marchas populares fico deveras surpreendido por não ver a juventude aderir em massa.
Afinal quem é que com 18 anos em 2004 não quer ir "pro bailarico" ou "namorar ao parapeito"? Afinal, as "catraias" já não brincam "ao aro, nem ao pião"...
ps: não reparei se o nosso presidente, o marechal Américo Tomás estava presente... Alguém me pode informar?
10 de junho de 2004
DIA DE CAMÕES 3
Eu até já me custa tocar no assunto RTP. Preferia limpar AINDA MAIS (se possível, por Zeus!!!) o cocó do meu gato. Mas quando penso nas centenas de milhões de euros que vão ser entregues a esta empresa à conta do "serviço público" prestado, tenho de me manifestar.
Ora num daqueles programas inenarráveis da manhã ou da tarde, já nem sei, uma das brainless apresentadoras solicitava o aplauso para um "Ex-combatente". Eu sei que ela não fez por mal- é iletrada, tal como quase tudo o que por ali anda - mas aplaudir um cretino que não apenas se põe com exigências ao resto do país como ainda faz o orgulhoso elogio da guerra racista e que matou milhares e milhares de jovens portugueses é excessivo. Alguém que diga a este bando de velhadas, ex-majores e ex-capitães e por aí fora, que os militares portugueses não foram para África defender Portugal com heroísmo. Não: foram obrigados a ir para um continente adverso, matar gente que já lá estava antes de "ser Portugal". A maioria não sente orgulho em ter andado a "punir os turras". A maioria sente uma angústia que não sabe de onde vem e muitos são os que ainda afogam no álcool os traumas que ali ganharam.
Acredito, contudo, que oficiais mais graduados, de casa e familía instalada naqueles territórios achassem que estavam a defender "o que era deles". Ou que sintam, ainda, o que um pateta de um embaixador-escritor (agraciado hoje, em Bragança) definiu como "uma fractura pela perda do Ultramar".
Era tempo desta gente aceitar a História e emendar o erro de pensamento. E quanto à televisão do Estado era tempo... era tempo... Olha, sinceramente, já não vai a tempo de nada. É um cancro dispendioso que todos pagamos, apenas.
Eu até já me custa tocar no assunto RTP. Preferia limpar AINDA MAIS (se possível, por Zeus!!!) o cocó do meu gato. Mas quando penso nas centenas de milhões de euros que vão ser entregues a esta empresa à conta do "serviço público" prestado, tenho de me manifestar.
Ora num daqueles programas inenarráveis da manhã ou da tarde, já nem sei, uma das brainless apresentadoras solicitava o aplauso para um "Ex-combatente". Eu sei que ela não fez por mal- é iletrada, tal como quase tudo o que por ali anda - mas aplaudir um cretino que não apenas se põe com exigências ao resto do país como ainda faz o orgulhoso elogio da guerra racista e que matou milhares e milhares de jovens portugueses é excessivo. Alguém que diga a este bando de velhadas, ex-majores e ex-capitães e por aí fora, que os militares portugueses não foram para África defender Portugal com heroísmo. Não: foram obrigados a ir para um continente adverso, matar gente que já lá estava antes de "ser Portugal". A maioria não sente orgulho em ter andado a "punir os turras". A maioria sente uma angústia que não sabe de onde vem e muitos são os que ainda afogam no álcool os traumas que ali ganharam.
Acredito, contudo, que oficiais mais graduados, de casa e familía instalada naqueles territórios achassem que estavam a defender "o que era deles". Ou que sintam, ainda, o que um pateta de um embaixador-escritor (agraciado hoje, em Bragança) definiu como "uma fractura pela perda do Ultramar".
Era tempo desta gente aceitar a História e emendar o erro de pensamento. E quanto à televisão do Estado era tempo... era tempo... Olha, sinceramente, já não vai a tempo de nada. É um cancro dispendioso que todos pagamos, apenas.
DIA DE CAMÕES 2
Em Bragança, João Benard da Costa fintou a ranhosice que se esperava do seu discurso, a coisa de circunstância inútil em que os nossos governantes são especialistas e para a qual convidam gente amiga de pactuar, e disse 2 ou 3 coisas sobre o estado da nação. Alguns tomarão o discurso como pessimista, outros meditarão sobre o Regresso anestesiante dos 3 Fs (éfes).
Em Bragança, João Benard da Costa fintou a ranhosice que se esperava do seu discurso, a coisa de circunstância inútil em que os nossos governantes são especialistas e para a qual convidam gente amiga de pactuar, e disse 2 ou 3 coisas sobre o estado da nação. Alguns tomarão o discurso como pessimista, outros meditarão sobre o Regresso anestesiante dos 3 Fs (éfes).
9 de junho de 2004
HIPOCRISIA PARA UM SOLDADO MORTO
Tem sido bonito ver a forma como os dirigentes que ainda há uns dias atrás mimoseavam Sousa Franco com os epítetos de "deficiente" e "pai do défice" endireitam a gravata preta e quase derramam lágrimas pelo "homem extraordinário que tanta falta fará ao país".
Fazem bem, porque também um dia, outros mais novos e com o mesmo ar circunspecto dirão "era uma mulher sem mácula" ou "Um político honesto". A não ser que apareça algum maluco que diga:"apesar de ser um beto de merda, fez uma carreira invejável".
Ámen pela seriedade na política.
Tem sido bonito ver a forma como os dirigentes que ainda há uns dias atrás mimoseavam Sousa Franco com os epítetos de "deficiente" e "pai do défice" endireitam a gravata preta e quase derramam lágrimas pelo "homem extraordinário que tanta falta fará ao país".
Fazem bem, porque também um dia, outros mais novos e com o mesmo ar circunspecto dirão "era uma mulher sem mácula" ou "Um político honesto". A não ser que apareça algum maluco que diga:"apesar de ser um beto de merda, fez uma carreira invejável".
Ámen pela seriedade na política.
8 de junho de 2004
PORTUGAL LITERÁRIO
No Chiado encontro um amigo escritor. De talento, ainda por cima. Fala-me das dificuldades económicas de quem deveria ser dignamente pago pelo seu trabalho, da forma snob como é tratado numa das poucas revistas em que se paga alguma coisa de jeito (o que aparentemente dá à direcção o direito de ser rude para os que não vão à Kapital com eles, ou não têm favores para os manter à tona...). Diz-me ainda dos anti-corpos que faz nascer noutros que já cá andam e que se acham muito mais merecedores de atenção.
Que lhe hei-de responder...?
Portugal é uma aldeia com muitos carros e toda a gente quereria ser filha do lavrador.
No Chiado encontro um amigo escritor. De talento, ainda por cima. Fala-me das dificuldades económicas de quem deveria ser dignamente pago pelo seu trabalho, da forma snob como é tratado numa das poucas revistas em que se paga alguma coisa de jeito (o que aparentemente dá à direcção o direito de ser rude para os que não vão à Kapital com eles, ou não têm favores para os manter à tona...). Diz-me ainda dos anti-corpos que faz nascer noutros que já cá andam e que se acham muito mais merecedores de atenção.
Que lhe hei-de responder...?
Portugal é uma aldeia com muitos carros e toda a gente quereria ser filha do lavrador.
5 de junho de 2004
800 MILITARES VÃO FAZER DE FIGURANTES NO EURO
Aparentemente, esta instituição foi chamada a esta função pela longa prática de inutilidade e de finge que serve.
A RTP foi contactada pois os seus dois milhões e meio de funcionários também são muito bons a fingir de trabalhadores competentes. Mas, infelizmente, a retroescavadora que os traria à superfície dos gabinetes onde passam os dias a olhar para o relógio não estava disponível nesse dia.
Aparentemente, esta instituição foi chamada a esta função pela longa prática de inutilidade e de finge que serve.
A RTP foi contactada pois os seus dois milhões e meio de funcionários também são muito bons a fingir de trabalhadores competentes. Mas, infelizmente, a retroescavadora que os traria à superfície dos gabinetes onde passam os dias a olhar para o relógio não estava disponível nesse dia.
CRÓNICAS DO PÚBLICO
Já aqui referi várias vezes que as crónicas da Helena Matos no Público, aos sábados, são óptimas. Há poucas pessoas entre os nossos cronistas que resumam a actualidade e se comprometam de forma tão eficaz como ela.
O texto de hoje (que não tenho aqui, já passei a outro e não ao mesmo) falava da visão misógina (machista, para os menos versados no trabalho da Academia das Ciências...) de médicos e governantes. De facto, a obsessão com o facto de as mulheres não poderem assumir as mesmas responsabilidades que os homens porque têm de ir para casa tomar contas dos filhos e lavar a louça, é ridícula. Não porque a louça não necessite de ser lavada, ou os filhos tratados, mas porque pressupõe que os homens NÃO TÊM A MESMA OBRIGAÇÃO. Aquela coisa de que "se deve ajudar, mas a casa e os filhos são responsabilidade da mulher". Ora, os homens inteligentes gostariam de acreditar nisso. Alguns (os que apanham mulheres parvas que se prestam voluntariamente - por defeito de educação - ao jogo) até fingem que a coisa está certa. Pois se eles nem têm jeito para a coisa. Alguém chamou a isto o papel do "urso simpático". Mas ninguém acredita já nisto.
Ninguém, a não ser o nosso ministro da saúde que julgou estar a dizer as graçolas machistas diante da secretária, paga para lhe aturar os desaforos, e apanhou com a Ferreira Leite ao lado. Teve azar.
Os nossos políticos não só são profundamente medíocres na sua falta de visão do futuro, como, tremendamente conservadores. E isso, tanto à esquerda como à direita.
Quanto aos médicos ou, pelo menos, à sua Ordem corporativista e muito questionável em tantas matérias, nem vale a pena falar... É o século XIX de bata vestida.
Já aqui referi várias vezes que as crónicas da Helena Matos no Público, aos sábados, são óptimas. Há poucas pessoas entre os nossos cronistas que resumam a actualidade e se comprometam de forma tão eficaz como ela.
O texto de hoje (que não tenho aqui, já passei a outro e não ao mesmo) falava da visão misógina (machista, para os menos versados no trabalho da Academia das Ciências...) de médicos e governantes. De facto, a obsessão com o facto de as mulheres não poderem assumir as mesmas responsabilidades que os homens porque têm de ir para casa tomar contas dos filhos e lavar a louça, é ridícula. Não porque a louça não necessite de ser lavada, ou os filhos tratados, mas porque pressupõe que os homens NÃO TÊM A MESMA OBRIGAÇÃO. Aquela coisa de que "se deve ajudar, mas a casa e os filhos são responsabilidade da mulher". Ora, os homens inteligentes gostariam de acreditar nisso. Alguns (os que apanham mulheres parvas que se prestam voluntariamente - por defeito de educação - ao jogo) até fingem que a coisa está certa. Pois se eles nem têm jeito para a coisa. Alguém chamou a isto o papel do "urso simpático". Mas ninguém acredita já nisto.
Ninguém, a não ser o nosso ministro da saúde que julgou estar a dizer as graçolas machistas diante da secretária, paga para lhe aturar os desaforos, e apanhou com a Ferreira Leite ao lado. Teve azar.
Os nossos políticos não só são profundamente medíocres na sua falta de visão do futuro, como, tremendamente conservadores. E isso, tanto à esquerda como à direita.
Quanto aos médicos ou, pelo menos, à sua Ordem corporativista e muito questionável em tantas matérias, nem vale a pena falar... É o século XIX de bata vestida.
COMENTAR, JÁ!
Algumas pessoas têm-me perguntado de que maneira podem comentar os posts, nesta versão. Na verdade, este novo sistema pede, vá-se lá saber para quê, que se "digite o código". Na verdade, o que eles estão a perguntar (why? Senhores, why?!)é "O que está a ver no quadrado em cima?", "Que letras ou números está ver? Escreva-os em baixo". Resumo, é sempre preciso escrever o que lá estiver. Ex: "U7IO"...
Enfim...
Algumas pessoas têm-me perguntado de que maneira podem comentar os posts, nesta versão. Na verdade, este novo sistema pede, vá-se lá saber para quê, que se "digite o código". Na verdade, o que eles estão a perguntar (why? Senhores, why?!)é "O que está a ver no quadrado em cima?", "Que letras ou números está ver? Escreva-os em baixo". Resumo, é sempre preciso escrever o que lá estiver. Ex: "U7IO"...
Enfim...
4 de junho de 2004
FANFILMS
Há quem leve o cinema tão a sério que faça novos filmes só para parodiar os êxitos.
É o caso deste site. Mas existem outros. É só procurar...
Há quem leve o cinema tão a sério que faça novos filmes só para parodiar os êxitos.
É o caso deste site. Mas existem outros. É só procurar...
CONVITE
O ano passado meteu comes e bebes. Mas também tiveram de me aturar e ao José Mário Silva a falar do "Segura-te ao Meu Peito em Chamas" ;) Este ano só há rebuçados e um pavilhão cheio de MATERNA DOÇURA.
Mas sou sincero se disser que ficaria contente se passassem na Feira do Livro (Lisboa) no Domingo às 18 horas, para dizer "Olá". Não é preciso comprar nada, juro (lol)!
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O ano passado meteu comes e bebes. Mas também tiveram de me aturar e ao José Mário Silva a falar do "Segura-te ao Meu Peito em Chamas" ;) Este ano só há rebuçados e um pavilhão cheio de MATERNA DOÇURA.
Mas sou sincero se disser que ficaria contente se passassem na Feira do Livro (Lisboa) no Domingo às 18 horas, para dizer "Olá". Não é preciso comprar nada, juro (lol)!
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3 de junho de 2004
O OUTRO LADO DO ESPELHO
Anda o mundo adulto muito alarmado porque descobriu que o nosso people (ppl) anda a experimentar drogas na escola.
Só não dá vontade de rir este espanto porque é fácil constatar que a maioria dos pais não tem a mínima ideia (e muitas vezes, Interesse) em saber o que os filhos fazem quando não estão debaixo dos seus stressados olhos. Experimentassem dar uma aula, às 2h da tarde, a uma turma com 2/3 dos seus elementos pedrados que perceberiam melhor... É tão elucidativo como cansativo, trust me...
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ps: qualquer dia ainda começam a fumar.
Anda o mundo adulto muito alarmado porque descobriu que o nosso people (ppl) anda a experimentar drogas na escola.
Só não dá vontade de rir este espanto porque é fácil constatar que a maioria dos pais não tem a mínima ideia (e muitas vezes, Interesse) em saber o que os filhos fazem quando não estão debaixo dos seus stressados olhos. Experimentassem dar uma aula, às 2h da tarde, a uma turma com 2/3 dos seus elementos pedrados que perceberiam melhor... É tão elucidativo como cansativo, trust me...
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ps: qualquer dia ainda começam a fumar.
2 de junho de 2004
FEIRA DO LIVRO
Não é verdade que os media não estejam a dar atenção à Feira do Livro de Lisboa. Ainda hoje, no auditório principal, eram vários os fotógrafos e até uma estação de televisão que cobria a apresentação de um livro, sobre moda, pela Bárbara Guimarães. O facto de os fotógrafos só dispararem as objectivas para a apresentadora só vem provar que são muito exigentes com os níveis de cultura.
Ora esse rigor não fica mal em lado nenhum. Digo eu....
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Não é verdade que os media não estejam a dar atenção à Feira do Livro de Lisboa. Ainda hoje, no auditório principal, eram vários os fotógrafos e até uma estação de televisão que cobria a apresentação de um livro, sobre moda, pela Bárbara Guimarães. O facto de os fotógrafos só dispararem as objectivas para a apresentadora só vem provar que são muito exigentes com os níveis de cultura.
Ora esse rigor não fica mal em lado nenhum. Digo eu....
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UM AMOR DE ÁGUA FRESCA?
Portugal pode não ser uma terra de fé, mas é certamente um país de mistérios.
Onde mais poderíamos encontrar uma cantora lésbica a cantar o hino do tempo de antena de um partido homofóbico...?
Fez-me lembrar a atracção que as criadas tinham antigamente pelo cds. Achavam que era o partido que defendia os interesses das classes trabalhadoras... Ora valha-me O que Lá Está em Cima!
Portugal pode não ser uma terra de fé, mas é certamente um país de mistérios.
Onde mais poderíamos encontrar uma cantora lésbica a cantar o hino do tempo de antena de um partido homofóbico...?
Fez-me lembrar a atracção que as criadas tinham antigamente pelo cds. Achavam que era o partido que defendia os interesses das classes trabalhadoras... Ora valha-me O que Lá Está em Cima!
1 de junho de 2004
DIAS
Após a confusão das últimas semanas, o tempo dos meus dias amainou hoje.
Chegaram-me notícias positivas, o sol brilhou (de mais) e quase que arranjei tempo para escrever o k tinha na cabeça.
Dos Açores chegou-me a carta insólita de uma leitora. Na verdade, da minha primeira leitora. Comprou-me (acordamos o preço) 2 poemas, numa feira de tralha (que é o k akela poesia vale, para ser honesto). Guardou-os na gaveta até hoje. E agora resolveu enviar-mos, para que eu me lembrasse de que um dia tive 18 anos e um interior genuinamente marítimo. Ela não lerá este blogue, por certo, mas o meu obrigado pelo voto de confiança de todos estes anos :)
Após a confusão das últimas semanas, o tempo dos meus dias amainou hoje.
Chegaram-me notícias positivas, o sol brilhou (de mais) e quase que arranjei tempo para escrever o k tinha na cabeça.
Dos Açores chegou-me a carta insólita de uma leitora. Na verdade, da minha primeira leitora. Comprou-me (acordamos o preço) 2 poemas, numa feira de tralha (que é o k akela poesia vale, para ser honesto). Guardou-os na gaveta até hoje. E agora resolveu enviar-mos, para que eu me lembrasse de que um dia tive 18 anos e um interior genuinamente marítimo. Ela não lerá este blogue, por certo, mas o meu obrigado pelo voto de confiança de todos estes anos :)
PIARÁ A CASA PIA?
Por instantes julguei que me tinha enganado; que não conhecia o meu país; que afinal era uma terra desertada pelo corporativismo e pelo dinheiro...
Helàs, estava certo. Quando não pôde mais ser abafado, o escândalo rebentou; quando os factos explodiram na cara da opinião pública tentou-se encontrar o erro processual (o que sempre resultara antes); quando este estratagema não funcionou como devia, procurou-se a falha no testemunho; em seguida, esmagar o juiz, descreditá-lo... E,por uma vez, parecia que a Justiça seria imparcial, que resistia... :)
É tempo de voltar a repetir o meu prognóstico para o jogo Desamparados do Mundo-Aproveitadores da Desgraça: serão poucos os condenados, apenas os que já eram desgraçados e, eventualmente, os que por desgraça não tiverem dinheiro para pagar um escritório de advogados influente. Os outros sairão com ar de indignação e, com sorte, alguma choruda indeminização.Aconteceu na Bélgica, aconteceu em Espanha. Não vejo razão para vir a ser diferente no país dos empreiteiros, dos beatos e da política baixa.
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Por instantes julguei que me tinha enganado; que não conhecia o meu país; que afinal era uma terra desertada pelo corporativismo e pelo dinheiro...
Helàs, estava certo. Quando não pôde mais ser abafado, o escândalo rebentou; quando os factos explodiram na cara da opinião pública tentou-se encontrar o erro processual (o que sempre resultara antes); quando este estratagema não funcionou como devia, procurou-se a falha no testemunho; em seguida, esmagar o juiz, descreditá-lo... E,por uma vez, parecia que a Justiça seria imparcial, que resistia... :)
É tempo de voltar a repetir o meu prognóstico para o jogo Desamparados do Mundo-Aproveitadores da Desgraça: serão poucos os condenados, apenas os que já eram desgraçados e, eventualmente, os que por desgraça não tiverem dinheiro para pagar um escritório de advogados influente. Os outros sairão com ar de indignação e, com sorte, alguma choruda indeminização.Aconteceu na Bélgica, aconteceu em Espanha. Não vejo razão para vir a ser diferente no país dos empreiteiros, dos beatos e da política baixa.
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31 de maio de 2004
GET IN OR GET LOST
Passam por mim, nervosas. Fumam e os olhos procuram alucinados os ecrãs dos computadores onde o caos necessita ser ordenado. E o caos não se compadece, e o telemóvel toca. Insistente. E elas enervam-se e só se viram para o lado para dizer "Oh, as férias... O Brasil das praias... o Longe"...
Cada hora é como um taco no chão de madeira e estão perdidas no meio do padrão. Que interessa o céu, a rua, o corpo. A matrix é a mãe. Ela é que sabe quando as deixará ir para casa enervarem-se com os que as amam.
São pessoas e moram na cidade. Para onde os sonhos dos restantes convergem. O local onde tudo acontece. Mesmo se o tudo é apenas o outro nome do Nada.
Passam por mim, nervosas. Fumam e os olhos procuram alucinados os ecrãs dos computadores onde o caos necessita ser ordenado. E o caos não se compadece, e o telemóvel toca. Insistente. E elas enervam-se e só se viram para o lado para dizer "Oh, as férias... O Brasil das praias... o Longe"...
Cada hora é como um taco no chão de madeira e estão perdidas no meio do padrão. Que interessa o céu, a rua, o corpo. A matrix é a mãe. Ela é que sabe quando as deixará ir para casa enervarem-se com os que as amam.
São pessoas e moram na cidade. Para onde os sonhos dos restantes convergem. O local onde tudo acontece. Mesmo se o tudo é apenas o outro nome do Nada.
ACTUALIDADES
Segundo o jornal Público "Cerca de 170 mil automóveis são deitados fora todos os anos em Portugal. São quase 500 por dia, 20 por hora, um a cada três minutos.".
Isto é absolutamente verdade. Ainda hoje, na A2, foram inúmeras as viaturas que tentaram auto-deitar-se fora, a mais de 180 km hora. Algumas eram tão solidárias que até quiseram levar o meu próprio carro, com família e gatos lá dentro...
Segundo o jornal Público "Cerca de 170 mil automóveis são deitados fora todos os anos em Portugal. São quase 500 por dia, 20 por hora, um a cada três minutos.".
Isto é absolutamente verdade. Ainda hoje, na A2, foram inúmeras as viaturas que tentaram auto-deitar-se fora, a mais de 180 km hora. Algumas eram tão solidárias que até quiseram levar o meu próprio carro, com família e gatos lá dentro...
AINDA O CINEMA...
Ao procurar a legislação referente aos apoios à criação cinematográfica, encontro a seguinte formulação como condição de apoio:"As potencialidades do argumento desenvolvido numa perspectiva de projecto com interesse para o cinema português, tendo em conta a sua qualidade artística técnica, cultural e a sua capacidade de comunicação, são os principais factores a atender, sem esquecer o objectivo último da produção
cinematográfica."
Pergunto eu: os sucessivos júris dos concursos têm atendido à lei? Na minha opinião, não. Ou não teríamos resultados de bilheteira de 230 e tal espectadores em filmes que custaram (pelo menos) 130000 contos ao erário público. E certamente não teríamos a estranha alternância júri->realizador/produtor candidato->júri com que nos deparamos frequentemente.
A lei está certa. Portugal é que precisa de uma visita ao oftalmologista.
Ao procurar a legislação referente aos apoios à criação cinematográfica, encontro a seguinte formulação como condição de apoio:"As potencialidades do argumento desenvolvido numa perspectiva de projecto com interesse para o cinema português, tendo em conta a sua qualidade artística técnica, cultural e a sua capacidade de comunicação, são os principais factores a atender, sem esquecer o objectivo último da produção
cinematográfica."
Pergunto eu: os sucessivos júris dos concursos têm atendido à lei? Na minha opinião, não. Ou não teríamos resultados de bilheteira de 230 e tal espectadores em filmes que custaram (pelo menos) 130000 contos ao erário público. E certamente não teríamos a estranha alternância júri->realizador/produtor candidato->júri com que nos deparamos frequentemente.
A lei está certa. Portugal é que precisa de uma visita ao oftalmologista.
28 de maio de 2004
LA MALA EDUCACIÓN
Não sei se é o melhor filme do Almodóvar. O 15º. Mas é um filme de Almodóvar. Com a tragédia, o humor, a loucura e a morte, sempre de mãos dadas. É uma história em camadas, todas com uma aparente leitura simples e que se vão tornando mais complexas à medida que nos mostra a seguinte.
É um filme sobre o amor. Como todos os anteriores. Não há lugar para julgamentos num mundo em que todos têm algo a esconder e outro tanto a desejar.
Um filme de resistência, também, neste início de século conformadinho e conservador.
Não sei se é o melhor filme do Almodóvar. O 15º. Mas é um filme de Almodóvar. Com a tragédia, o humor, a loucura e a morte, sempre de mãos dadas. É uma história em camadas, todas com uma aparente leitura simples e que se vão tornando mais complexas à medida que nos mostra a seguinte.
É um filme sobre o amor. Como todos os anteriores. Não há lugar para julgamentos num mundo em que todos têm algo a esconder e outro tanto a desejar.
Um filme de resistência, também, neste início de século conformadinho e conservador.
26 de maio de 2004
SUSTO!
Ainda no campo da análise da Nova Direita portuguesa, quis saber mais sobre os cartazes que o partido do Manel mandou colocar pela cidade de Lisboa (pelo menos...). Coisa jovem..., virada para o futuro...
Infelizmente, certamente por erro meu, fui parar a um site chamado "you're-an-idiot.com" que me encheu o ecrã com um smiley irritante e que se ia desdobrando por todo o lado enquanto me dava o justo epíteto...
Não estou preparado para gente tão liberal e visionária, é o que é...!
Ainda no campo da análise da Nova Direita portuguesa, quis saber mais sobre os cartazes que o partido do Manel mandou colocar pela cidade de Lisboa (pelo menos...). Coisa jovem..., virada para o futuro...
Infelizmente, certamente por erro meu, fui parar a um site chamado "you're-an-idiot.com" que me encheu o ecrã com um smiley irritante e que se ia desdobrando por todo o lado enquanto me dava o justo epíteto...
Não estou preparado para gente tão liberal e visionária, é o que é...!
A DIREITA PEDE, A SETINHA MANDA
O CDS-PP propõe que se metam na cadeia as pessoas que se manifestem nas galerias da Assembleia.
Está certo! Afinal, quem lá está representa pouco ou nada dos portugueses. A realidade ainda acabaria por contagiar algum dos deputados...
Aliás, se me permitem a sugestão (outra hipótese de ter ideias é escrever para www.perguntaobetinhoquenaovivenestemundo.pt)talvez se pudessem colocar os "hooligans" de S.Bento com as mulheres condenadas por abortar. Sendo estas umas depravadas e eles uns arruaceiros bêbados, aposto que passariam o tempo a fornicar como loucos, dando motivos a grandes rezas de terço pelas suas almas.
O CDS-PP propõe que se metam na cadeia as pessoas que se manifestem nas galerias da Assembleia.
Está certo! Afinal, quem lá está representa pouco ou nada dos portugueses. A realidade ainda acabaria por contagiar algum dos deputados...
Aliás, se me permitem a sugestão (outra hipótese de ter ideias é escrever para www.perguntaobetinhoquenaovivenestemundo.pt)talvez se pudessem colocar os "hooligans" de S.Bento com as mulheres condenadas por abortar. Sendo estas umas depravadas e eles uns arruaceiros bêbados, aposto que passariam o tempo a fornicar como loucos, dando motivos a grandes rezas de terço pelas suas almas.
25 de maio de 2004
SALOMÉ
Ainda a pensar no livro do Miguéis encontrei este poema do Herberto Helder que transcrevo com a devida vénia:
CANÇÃO DE CABILA
Leve, aparece na dança -
e ninguém lhe sabe o nome.
Vai e vem entre os seus peitos
um amuleto de prata.
Mergulha fundo na dança.
Tilintam em seus artelhos
muitas argolas de prata.
- Foi por ela que vendi
um pomar de macieiras.
Ela cai dentro da dança,
e abrem-se ao meio os cabelos.
- Foi por ela que vendi
o meu olival antigo.
Vai até ao centro da dança.
Cintila, vivo, um colar.
- Foi por ela que vendi
o meu campo de figueiras.
E no coração da dança,
todo um sorriso a enflora.
- Foi por ela que vendi
um milhão de laranjeiras. "
Ainda a pensar no livro do Miguéis encontrei este poema do Herberto Helder que transcrevo com a devida vénia:
CANÇÃO DE CABILA
Leve, aparece na dança -
e ninguém lhe sabe o nome.
Vai e vem entre os seus peitos
um amuleto de prata.
Mergulha fundo na dança.
Tilintam em seus artelhos
muitas argolas de prata.
- Foi por ela que vendi
um pomar de macieiras.
Ela cai dentro da dança,
e abrem-se ao meio os cabelos.
- Foi por ela que vendi
o meu olival antigo.
Vai até ao centro da dança.
Cintila, vivo, um colar.
- Foi por ela que vendi
o meu campo de figueiras.
E no coração da dança,
todo um sorriso a enflora.
- Foi por ela que vendi
um milhão de laranjeiras. "
FEIRODEPENDÊNCIA...
Hoje não fui à feira do livro; hoje não remexi páginas e páginas... Estou-me a aguentar (primeira vez em 4 dias que me consigo conter)... Baby steps, baby steps... Amanhã talvez consiga não dar por mim a folhear dos que dizem "saldos 1?" até aos que têm escrito "Novidade"...
Maldito vício!
Hoje não fui à feira do livro; hoje não remexi páginas e páginas... Estou-me a aguentar (primeira vez em 4 dias que me consigo conter)... Baby steps, baby steps... Amanhã talvez consiga não dar por mim a folhear dos que dizem "saldos 1?" até aos que têm escrito "Novidade"...
Maldito vício!
24 de maio de 2004
O MILAGRE FICA ONDE SEMPRE ESTEVE: NO LIVRO
Como não devo favores ao Paulo Branco nem isto é um jornal onde se tem de elogiar tudo o que as suas produtoras fazem, gostaria de opinar sobre o filme de Mário Barroso, O MILAGRE SEGUNDO SALOMÉ.
O romance é maravilhoso (2 volumes, na Presença). Um dos melhores livros de José Rodrigues Miguéis, ignorado q.b. pelos nossos contemporâneos.
O filme nem por isso. Contudo, o bom trabalho de fotografia e a realização segura de muitas cenas mereceria sê-lo. Bem como o trabalho de alguns actores (Nicolau Breyner, subtil, Ana Bandeira quase sempre segura, a presença contida de Ricardo Pereira...)e a música com arranjos de Bernardo Sassetti. Destaque ainda para a direcção artística de Isabel Branco que nos dá uma Lisboa do início do século (1917-1918) requintada nos pormenores.
Este filme mereceria um argumento forte. Na minha opinião ficou muito longe de o obter. Carlos Saboga (residente em França há décadas e de quem vimos "Jaime" além de algumas intervenções em telefilmes da Sic) não domina a arte de criar uma cena, desconhece o significado de "sequência" e, sobretudo, não alinha dois diálogos de jeito. As personagens falam com uma verborreia tal que nos ficam a doer os ouvidos. E para nada, depois de espremido nada disseram. Sem querer estar a bater no ceguinho parece-me evidente que o argumentista não tem talento para arte de escrever as coisas que os actores dizem, nem domina a língua portuguesa na sua forma coloquial. Muito menos a falada em 1917 ("Olha que ela fode-te!" ou "Que seca!"...).
Repito, este filme mereceria um argumento que aguentasse a força que se desprende do trabalho de imagem.
Como não devo favores ao Paulo Branco nem isto é um jornal onde se tem de elogiar tudo o que as suas produtoras fazem, gostaria de opinar sobre o filme de Mário Barroso, O MILAGRE SEGUNDO SALOMÉ.
O romance é maravilhoso (2 volumes, na Presença). Um dos melhores livros de José Rodrigues Miguéis, ignorado q.b. pelos nossos contemporâneos.
O filme nem por isso. Contudo, o bom trabalho de fotografia e a realização segura de muitas cenas mereceria sê-lo. Bem como o trabalho de alguns actores (Nicolau Breyner, subtil, Ana Bandeira quase sempre segura, a presença contida de Ricardo Pereira...)e a música com arranjos de Bernardo Sassetti. Destaque ainda para a direcção artística de Isabel Branco que nos dá uma Lisboa do início do século (1917-1918) requintada nos pormenores.
Este filme mereceria um argumento forte. Na minha opinião ficou muito longe de o obter. Carlos Saboga (residente em França há décadas e de quem vimos "Jaime" além de algumas intervenções em telefilmes da Sic) não domina a arte de criar uma cena, desconhece o significado de "sequência" e, sobretudo, não alinha dois diálogos de jeito. As personagens falam com uma verborreia tal que nos ficam a doer os ouvidos. E para nada, depois de espremido nada disseram. Sem querer estar a bater no ceguinho parece-me evidente que o argumentista não tem talento para arte de escrever as coisas que os actores dizem, nem domina a língua portuguesa na sua forma coloquial. Muito menos a falada em 1917 ("Olha que ela fode-te!" ou "Que seca!"...).
Repito, este filme mereceria um argumento que aguentasse a força que se desprende do trabalho de imagem.
23 de maio de 2004
FEIRA
A vantagem das sessões de autógrafos é a de estarmos sentados numas cadeirinhas, à vista de todos, com os amigos a parar para dar dois dedos de conversas.
Hoje foi divertido. Desci a calçada, qual Odete Santos Poeta, e fui falando e abraçando os escritores amigos, publicados por lados vários. Depois foram outros que passaram pela minha "banca", não para comprar a mercadoria autografada mas para falar das coisas simples e bem dispostas de que se deve falar à sombra das árvores.
Mesmo com o buraco do túnel e o Parque semi-esventrado pelo nosso Bushezinho de trazer por casa, a feira continua a ser festa :)
A vantagem das sessões de autógrafos é a de estarmos sentados numas cadeirinhas, à vista de todos, com os amigos a parar para dar dois dedos de conversas.
Hoje foi divertido. Desci a calçada, qual Odete Santos Poeta, e fui falando e abraçando os escritores amigos, publicados por lados vários. Depois foram outros que passaram pela minha "banca", não para comprar a mercadoria autografada mas para falar das coisas simples e bem dispostas de que se deve falar à sombra das árvores.
Mesmo com o buraco do túnel e o Parque semi-esventrado pelo nosso Bushezinho de trazer por casa, a feira continua a ser festa :)
ACHILES TALON
Vi a adaptação da obra de Homero. Confesso que temia o pior. Preconceituoso, ou não fosse "intelectual" e português, meti na cabeça que seria um peplum, uma coisa à italiana, com toda a gente mto lavadinha e o Brad Pitt a esticar os tendões. Não foi. Antes uma adaptação justa. Com uma atenção ao pormenor mto interessante e uma representação igualmente eficaz. O argumento aguenta-se bem e, tirando a fala final do Aquiles, transformado em almofada de alfinetes falante, tem interesse e funciona a contento. Dei o dinheiro por bem empregue.
Antes assim.
Vi a adaptação da obra de Homero. Confesso que temia o pior. Preconceituoso, ou não fosse "intelectual" e português, meti na cabeça que seria um peplum, uma coisa à italiana, com toda a gente mto lavadinha e o Brad Pitt a esticar os tendões. Não foi. Antes uma adaptação justa. Com uma atenção ao pormenor mto interessante e uma representação igualmente eficaz. O argumento aguenta-se bem e, tirando a fala final do Aquiles, transformado em almofada de alfinetes falante, tem interesse e funciona a contento. Dei o dinheiro por bem empregue.
Antes assim.
21 de maio de 2004
20 de maio de 2004
NÃO PECARÁS!
Hoje os jornais abriam com a dramática notícia de que a ministra das finanças teria cometido um erro ao preencher (com os irmãos) a sua declaração de impostos. E que teria rectificado o facto e pago o que haveria a pagar.
É maravilhoso o que uma oposição inteligente desencanta com a cumplicidade dos empregados das finanças. Sim senhor: uma bomba! A mulher peca! Bem investigadas as coisas ainda descobrem que já terá dito palavrões ou insultado uma velhota na rua.
Logo agora que Portugal precisava de ter uma santa em ministra...
Hoje os jornais abriam com a dramática notícia de que a ministra das finanças teria cometido um erro ao preencher (com os irmãos) a sua declaração de impostos. E que teria rectificado o facto e pago o que haveria a pagar.
É maravilhoso o que uma oposição inteligente desencanta com a cumplicidade dos empregados das finanças. Sim senhor: uma bomba! A mulher peca! Bem investigadas as coisas ainda descobrem que já terá dito palavrões ou insultado uma velhota na rua.
Logo agora que Portugal precisava de ter uma santa em ministra...
19 de maio de 2004
OS SONHADORES
Bertolucci vem lembrar que se pode fazer um filme apens com 3 pessoas jovens e bonitas e uma banheira num apartamento elegante. O ser humano com as suas contradições é mais do que suficiente para tema. Se ele, realizador, não se esquecesse desta verdade simples, enchendo a tela com clichés sobre o Maio de 68 e as citações cinéfilas teria sido um filme melhor.
A ver, contudo.
ps: tenho o MILAGRE SEGUNDO SALOMÉ, na minha lista de espera. Não fosse a memória do maravilhoso romance de José Rodrigues Miguéis e ter-me-ia sentido desalentado pelos pavorosos cartazes de promoção. Assim, irei ver.
ps2: Alguém me explicará a razão de ser da expressão "Um filme DE Mário Barroso"? E não será um filme do Bernardo Sass. (música) ou do Carlos Saboga (argumento) também? Isto para indicar apenas das autorias mais óbvias, protegidos pela lei dos direitos de autor...
Bertolucci vem lembrar que se pode fazer um filme apens com 3 pessoas jovens e bonitas e uma banheira num apartamento elegante. O ser humano com as suas contradições é mais do que suficiente para tema. Se ele, realizador, não se esquecesse desta verdade simples, enchendo a tela com clichés sobre o Maio de 68 e as citações cinéfilas teria sido um filme melhor.
A ver, contudo.
ps: tenho o MILAGRE SEGUNDO SALOMÉ, na minha lista de espera. Não fosse a memória do maravilhoso romance de José Rodrigues Miguéis e ter-me-ia sentido desalentado pelos pavorosos cartazes de promoção. Assim, irei ver.
ps2: Alguém me explicará a razão de ser da expressão "Um filme DE Mário Barroso"? E não será um filme do Bernardo Sass. (música) ou do Carlos Saboga (argumento) também? Isto para indicar apenas das autorias mais óbvias, protegidos pela lei dos direitos de autor...
18 de maio de 2004
EUROVISION SONG(?) CONTEST
Para os mais novos já não significa nada, eu sei. Mesmo para os que estamos a ficar grandinhos a coisa tem um valor meramente simbólico. Mas, ainda assim, vamos vendo e opinando.
Os portugueses cantaram bem,tinham uma coreografia simpática e a orquestração fez o que pôde... por uma música que não tinha ponta por onde se lhe pegasse. Bem bom que os telespectadores portugueses não se lembraram de enviar a canção escrita pela simpática Rosete (que é isso mesmo: simpática. Sem mais. Não sei quem escreveu esta, mas espero sinceramente que seja de algum familiar de um membro da direcção de programas da RTP. Ao menos seria a inovação na continuidade dos processos da tv do Estado... Porque se foi MESMO escolhida pelo mérito (o que duvido, atendendo aos mais de 40 anos de compadrio, despesismo e incompetência)... Valha-me Deus!
Será muito difícil compreender que um cantor não se deve (salvo honrosas excepções, como o Sérgio Godinho) armar em compositor e poeta só porque necessita de repertório? Existem compositores bons e autores de letras bons. É só juntar as energias.
Caso contrário será o mesmo que pedir a um actor brilhante que seja o dramaturgo de uma peça excelente. Pode acontecer... Mas nunca será a regra.
Para os mais novos já não significa nada, eu sei. Mesmo para os que estamos a ficar grandinhos a coisa tem um valor meramente simbólico. Mas, ainda assim, vamos vendo e opinando.
Os portugueses cantaram bem,tinham uma coreografia simpática e a orquestração fez o que pôde... por uma música que não tinha ponta por onde se lhe pegasse. Bem bom que os telespectadores portugueses não se lembraram de enviar a canção escrita pela simpática Rosete (que é isso mesmo: simpática. Sem mais. Não sei quem escreveu esta, mas espero sinceramente que seja de algum familiar de um membro da direcção de programas da RTP. Ao menos seria a inovação na continuidade dos processos da tv do Estado... Porque se foi MESMO escolhida pelo mérito (o que duvido, atendendo aos mais de 40 anos de compadrio, despesismo e incompetência)... Valha-me Deus!
Será muito difícil compreender que um cantor não se deve (salvo honrosas excepções, como o Sérgio Godinho) armar em compositor e poeta só porque necessita de repertório? Existem compositores bons e autores de letras bons. É só juntar as energias.
Caso contrário será o mesmo que pedir a um actor brilhante que seja o dramaturgo de uma peça excelente. Pode acontecer... Mas nunca será a regra.
16 de maio de 2004
TGV ESPANHOL
Acaba de sair em Espanha, pela mão da editora Lengua de Trapo (coordenação de Karmele Seitene) um livro de contos originais da nova geração de escritores portugueses.
Além deste vosso criado, podem os hermanos tomar contacto com a imaginação de Pedro Rosa Mendes, Francisco José Viegas, Mafalda Ivo Cruz entre outros...
Acaba de sair em Espanha, pela mão da editora Lengua de Trapo (coordenação de Karmele Seitene) um livro de contos originais da nova geração de escritores portugueses.
Além deste vosso criado, podem os hermanos tomar contacto com a imaginação de Pedro Rosa Mendes, Francisco José Viegas, Mafalda Ivo Cruz entre outros...
TAÇA DE PORTUGAL
Hoje, muitos portugueses foram benfiquistas. Ver o execrável Mourinho a explodir de rancor e despeito por não ver concretizadas as suas arrogantes profecias deixou muitos de nós contentes. Será infantilidade, mas que dizer senão: "Toma e embrulha" ;)
Ao contrário do que muitas pessoas honestamente pensam, tenho a convicção de que o FCP faz pior pelo Porto e pelas suas gentes do que lhe fará bem. E, ao contrário do que muitos teimam em afirmar, não tem a ver com inveja de coisa nenhuma. É sim, pela arrogância e falta de solidariedade demonstrada em cada uma das vitórias. O país mereceria orgulhar-se de um clube que se orgulhasse de pertencer a um povo generoso. A vitória pelo prazer do esmagamento é do domínio do bárbaro.
Hoje, muitos portugueses foram benfiquistas. Ver o execrável Mourinho a explodir de rancor e despeito por não ver concretizadas as suas arrogantes profecias deixou muitos de nós contentes. Será infantilidade, mas que dizer senão: "Toma e embrulha" ;)
Ao contrário do que muitas pessoas honestamente pensam, tenho a convicção de que o FCP faz pior pelo Porto e pelas suas gentes do que lhe fará bem. E, ao contrário do que muitos teimam em afirmar, não tem a ver com inveja de coisa nenhuma. É sim, pela arrogância e falta de solidariedade demonstrada em cada uma das vitórias. O país mereceria orgulhar-se de um clube que se orgulhasse de pertencer a um povo generoso. A vitória pelo prazer do esmagamento é do domínio do bárbaro.
É PRECISO ESCLARECER
Algumas pessoas andam a fazer confusão com a obra conhecida como "Túnel do Marquês" (Lisboa). Que é preciso acautelar as inclinações, a forma como os carros entram e saem, etc...
Por amor de Deus, desde quando é que construir um parque de estacionamento subterrâneo é assim tão difícil?! Naturalmente que os carros escorregam por um lado, dão umas voltinhas circulares e páram. Quando lhes apetecer sair, pagam o bilhetito (que deve ser caro, assim tão no meio de Lisboa...) e regressam PELO BURACO POR ONDE ENTRARAM...
*****************
****************
Daaa...! Não estou a perceber o problema... Alguém me explica...?
Algumas pessoas andam a fazer confusão com a obra conhecida como "Túnel do Marquês" (Lisboa). Que é preciso acautelar as inclinações, a forma como os carros entram e saem, etc...
Por amor de Deus, desde quando é que construir um parque de estacionamento subterrâneo é assim tão difícil?! Naturalmente que os carros escorregam por um lado, dão umas voltinhas circulares e páram. Quando lhes apetecer sair, pagam o bilhetito (que deve ser caro, assim tão no meio de Lisboa...) e regressam PELO BURACO POR ONDE ENTRARAM...
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Daaa...! Não estou a perceber o problema... Alguém me explica...?
VER DO CÉU
No Terreiro do Paço está exposta uma enorme colecção (da autoria de Yann Arthus-Bertrand) de fotografias do nosso planeta. São interessantes a 2 níveis: fotográfico (a composição é excelente) e de registo destas maravilhosas fragilidade e grandeza que fazem do planeta Terra um lugar único.
Mais detalhes, aqui.
No Terreiro do Paço está exposta uma enorme colecção (da autoria de Yann Arthus-Bertrand) de fotografias do nosso planeta. São interessantes a 2 níveis: fotográfico (a composição é excelente) e de registo destas maravilhosas fragilidade e grandeza que fazem do planeta Terra um lugar único.
Mais detalhes, aqui.
14 de maio de 2004
12 de maio de 2004
LAVAR A LOUÇA COM PÁSSAROS
A água corria, quente e em franco desperdício, enquanto eu ia pensando na solução para uma história. Subitamente, do outro lado da janela, debicando coisas misteriosas na relva, um pássaro. Um melro para ser mais exacto. Saltitou, preto e decidido, olhando em volta, pronto a partir. Mas só as ervas se moviam. Eu continha a respiração para que ele não se apercebesse da minha presença. Mas ele viu-me. Ficou parado a olhar directamente para a minha figura imóvel. Depois virou-me um olho desconfiado (o seu mais apurado, suponho...) antes de partir gritando ao vento que homens e pássaros nunca seriam irmãos.
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A água corria, quente e em franco desperdício, enquanto eu ia pensando na solução para uma história. Subitamente, do outro lado da janela, debicando coisas misteriosas na relva, um pássaro. Um melro para ser mais exacto. Saltitou, preto e decidido, olhando em volta, pronto a partir. Mas só as ervas se moviam. Eu continha a respiração para que ele não se apercebesse da minha presença. Mas ele viu-me. Ficou parado a olhar directamente para a minha figura imóvel. Depois virou-me um olho desconfiado (o seu mais apurado, suponho...) antes de partir gritando ao vento que homens e pássaros nunca seriam irmãos.
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O MEDO
Hoje tirei as mãos do guiador e deixei-me deslizar a toda a velocidade, enquanto as rodas faziam "cchhhhhhtttt...". Percebi, subitamente, que a única razão por que não tinha sido bem sucedido nesta proeza durante estes anos todos era o medo de cair. Quando a serenidade me atingiu, seguimos os dois o nosso caminho veloz. A bicicleta e eu.
Hoje tirei as mãos do guiador e deixei-me deslizar a toda a velocidade, enquanto as rodas faziam "cchhhhhhtttt...". Percebi, subitamente, que a única razão por que não tinha sido bem sucedido nesta proeza durante estes anos todos era o medo de cair. Quando a serenidade me atingiu, seguimos os dois o nosso caminho veloz. A bicicleta e eu.
10 de maio de 2004
7 de maio de 2004
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